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quarta-feira, 25 de março de 2020

Entrevista: Nádia Campeão: A reforma urbana deveria estar na agenda pública nacional

Em entrevista para o site da Fundação Maurício Grabois, Nádia Campeão fala sobre os desafios de se estruturar políticas públicas voltadas para a construção de cidades mais democráticas, tema do curso em vídeo oferecido pela FMG. A Secretária de Relações Institucionais e Políticas Públicas do PCdoB e vice-prefeita de São Paulo na gestão de Fernando Haddad destaca que para enfrentar os problemas urbanos seria preciso "outro rumo, que combine desenvolvimento, retomada da geração de emprego, elevação da renda, investimentos em saúde, educação e ciência públicas. Nada disso será possível com a continuidade do governo Bolsonaro".

PUBLICADO EM 22.03.2020

Nádia é autora do livro Cidades Democráticas – A Experiência do PCdoB e da Esquerda em Prefeituras (1985-2018), publicado pela Editora Anita Garibaldi/Fundação Maurício Grabois, e que traz uma sistematização e um balanço das principais experiências da esquerda à frente das prefeituras. Esse trabalho também inspirou a realização do curso em vídeo que está sendo oferecido pela FMG de forma gratuita. "É importante assistir todos os módulos para que se tenha uma visão integrada e multifacética da questão urbana e dos desafios atuais das nossas cidades", afirma.
Um dos maiores desafios da contemporaneidade é a gestão de grandes metrópoles, que cresceram de forma desordenada e sem planejamento. Como enfrentar problemas estruturais, com a participação da comunidade, buscando construir espaços urbanos mais democráticos?
Nádia Campeão: É verdade que nossas grandes cidades convivem com problemas estruturais, os quais vão sendo enfrentados ou lentamente, ou nem apresentam perspectivas de superação. No primeiro caso, poderíamos citar a questão do acesso universal dos domicílios ao saneamento básico e os problemas relativos ao transporte público coletivo. No segundo, em que não se vislumbram medidas efetivas, estão as enormes desigualdades entre áreas consolidadas das cidades, servidas por infraestrutura urbana razoável, e as vastas regiões mais afastadas ou onde residem as camadas trabalhadoras mais pobres, destituídas de serviços básicos, a começar do acesso a moradias seguras e dignas. Seria necessário colocar a reforma urbana na agenda pública nacional, somando os esforços de todos os níveis de governo. Em isso não ocorrendo, cabe lutar para que os governantes eleitos apresentem compromissos claros de agir sobre os problemas mais importantes, dando prioridade a estas regiões e populações que carecem do direito à cidade nas questões mais básicas.

Mas e quando pensamos nos pequenos municípios, quais são os maiores desafios?
Os pequenos municípios reproduzem em menor escala vários problemas vividos pelas médias e grandes cidades. É o caso da violência e do desemprego, por exemplo. E ainda são mais frágeis na arrecadação própria, operam com orçamentos muito reduzidos e dependentes das transferências dos estados e da união. Seria muito recomendável que fossem incentivadas a formação dos consórcios regionais, onde os municípios de uma mesma região pudessem atuar em conjunto na solução dos problemas relativos ao transporte, saúde, aterros sanitários, segurança hídrica e outros. 

O mundo vive a pandemia do Coronavírus. Milhões de pessoas em todo mundo estão em isolamento, os segmentos mais carentes da sociedade permanecem ou expostos à contaminação ou sem acesso à saúde. Esse é o tipo de situação que aumenta ainda mais as reflexões de como o espaço urbano e as políticas públicas devem se reestruturar. Como você avalia esse cenário?
O enfrentamento à pandemia do coronavírus já seria desafio imenso mesmo que o Brasil fosse um país bastante desenvolvido, Os exemplos internacionais, da Europa e dos EUA, estão aí a comprovar. Mas, no nosso caso, somam-se muitas outras fragilidades, como a desigualdade social, o baixíssimo crescimento, a desindustrialização (imagine um país depender da importação de máscaras e respiradores, quando todos os países deles necessitam ao mesmo tempo!), e mais do que tudo os ataques frontais que as políticas públicas e o SUS vêm sofrendo desde o governo de Temer, agravados com a eleição do Bolsonaro. A aprovação do teto dos gastos, o confronto com os médicos cubanos e o programa Mais Médicos, os cortes no orçamento da ciência e pesquisa, a completa insanidade do presidente da República, são fatores agravantes da situação. Como falar de isolamento social ou quarentena para a maior parte do povo que vive em condições precárias e sobrevive com trabalho informal? 

Espera-se que tudo isso que está acontecendo fortaleça a luta por uma outra orientação para o desenvolvimento nacional, um outro rumo, que combine desenvolvimento com reindustrialização, retomada da geração de emprego, elevação da renda, investimentos em saúde, educação e ciência públicas. Nada disso será possível com a continuidade do governo Bolsonaro.
Na hora de discutir as plataformas eleitorais, candidatos e candidatas inevitavelmente acabam hierarquizando questões, uns dizem que a prioridade é segurança, outros dizem que é saúde, educação, moradia e assim por diante. Como um gestor que pense numa cidade mais democrática deve entrelaçar esses temas? 
Quem governa uma cidade precisa atuar sobre um grande conjunto de áreas e desenvolver um complexo de políticas públicas que sustentam todo o funcionamento urbano, dando garantias de que a população viva numa cidade limpa, onde o transporte público funcione, a escola tenha qualidade, os equipamentos de saúde sejam resolutivos, e ainda se enfrente as calamidades como chuvas, enchentes e epidemias, que proporcione áreas públicas de lazer e cultura, que estimule a cidadania e a participação democrática. Então, na prática, devem haver prioridades mas sem abandonar nenhum outro encargo municipal. Embora a maioria das pesquisas feitas com a população sempre indiquem que saúde e segurança pública sejam os principais problemas sentidos, acredito que atualmente será preciso responder prioritariamente ao quadro de crise social e desemprego que se alastra. A começar pelo aumento da população em situação de rua, que vêm ocorrendo em todas as cidades do país, independente do seu tamanho ou nível de desenvolvimento. 

Neste sentido, preocupa muito o fato de que com a estagnação da economia - talvez até recessão - a arrecadação das prefeituras despenque e justamente num momento em que é preciso fazer mais gasto público, os recursos sejam mais escassos. Os municípios já vinham sendo pressionados por receber mais responsabilidades e não receber aportes orçamentários correspondentes. Um novo pacto federativo é necessário no curto prazo.
Como o curso em vídeo que está sendo disponibilizado pode ajudar a pensar nestes e em outros temas?
O curso apresenta uma reflexão bastante abrangente dos principais temas que afetam a gestão municipal, inclusive o contexto geral em que estão inseridos. Vamos encontrar, nas aulas e entrevistas, tanto diagnósticos como problematizações e propostas, tratadas por pessoas que tem muita experiência e elaboração acumulados. É importante assistir todos os módulos para que se tenha uma visão integrada e multifacética da questão urbana e dos desafios atuais das nossas cidades.        

segunda-feira, 23 de março de 2020

SOCIOLOGIA - SOCIEDADE E ESPAÇO URBANO - LISTA 2

Colégio Estadual Prof. Wilmar Gonçalves da Silva
Goiânia, ___ de ________ de 2020
Prof. Marcelo Junta - Sociologia

Aluno(a): ____________________________________ Série: 3º ____


QUESTÃO 01
A segregação urbana é consequência direta das relações sociais. Sobre esse tema, avalie as afirmativas a seguir:
                    I.            A segregação urbana está relacionada a fatores sociais como o processo de divisão e luta de classes.
                  II.            Uma das características comuns aos espaços segregados é a ausência de infraestrutura, como saneamento básico, redes de água tratada e energia, segurança, rede de atendimento de saúde, escolas e creches.
                III.            A ausência de equipamentos de lazer, transportes e educação relaciona-se diretamente com as características culturais dos habitantes de espaços segregados como as favelas.
Estão incorretas as alternativas:
a)       I e III.
b)      I e II.
c)       II e III.
d)      Todas as alternativas.
e)      Apenas a alternativa III.

QUESTÃO 02
São considerados problemas sociais urbanos, exceto:
a)       A erosão causada pela retirada da mata ciliar.
b)      Os serviços de saúde oferecidos para a população das cidades muitas vezes são ineficientes e insuficientes.
c)       A baixa qualidade do ensino público que atende a população de baixa renda.
d)      A questão da violência e da ineficiência das políticas de segurança pública.
e)      Falta de habitações e infraestrutura para toda a população.

QUESTÃO 03
A respeito do fenômeno da segregação urbana, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto:
a)       A segregação socioespacial urbana ocorre em virtude de um conjunto de fatores sociais, econômicos, culturais, históricos e raciais no espaço das cidades.
b)      A marginalização de indivíduos ou grupos sociais nas cidades caracteriza o fenômeno da segregação socioespacial ou segregação urbana.
c)       A escolha das pessoas é fator preponderante para a periferização. Entre várias opções, a maior parte dos moradores opta por espaços como favelas por terem afinidade cultural.
d)      A formação de favelas, habitações em áreas irregulares, cortiços e áreas de invasão são exemplos comuns de materialização da segregação urbana.

QUESTÃO 04
Sobre as pessoas que ocupam as áreas de segregação urbana, assinale a alternativa incorreta:
a)       São indivíduos que, por uma série de fatores sociais e econômicos, recebem baixos salários, o que limita as opções de moradia.
b)      São grupos de pessoas que não possuem outra alternativa a não ser ocupar esses espaços sem infraestrutura.
c)       São pessoas que optam voluntariamente por residir nas áreas segregadas.
d)      São grupos sociais com poucas condições de renda.
e)      São indivíduos com baixa escolarização e ausência de formação profissional específica, que realizam trabalhos pouco especializados e, portanto, mal remunerados.

QUESTÃO 05
São exemplos de espaços de segregação involuntária urbana, exceto:
a)       favelas
b)      condomínios fechados
c)       cortiços
d)      áreas de risco ocupadas
e)      loteamentos irregulares

QUESTÃO 06
Sobre os problemas sociais nas cidades do Brasil, avalie as proposições a seguir:
               I.          A questão da violência nas cidades tem ampliado a sensação de insegurança e a descrença nos serviços de segurança pública. Noticiários relatam assassinatos, assaltos, sequestros, agressões e outros tipos de violência diariamente;
              II.          Problemas relacionados com a infraestrutura (iluminação pública, redes de água, esgoto e energia elétrica, asfaltamento, segurança e lazer) não são considerados relevantes para a análise dos problemas sociais urbanos, como as questões de moradia;
            III.          A deficiência no planejamento e execução de políticas públicas no espaço urbano são alguns dos principais responsáveis pela gênese e perpetuação dos problemas sociais nas cidades brasileiras;
           IV.          A desigualdade social provoca o agravamento dos problemas sociais. Uma distribuição de renda mais igualitária contribuiria para a diminuição dos problemas de saúde, moradia, educação e segurança nos espaços urbanos brasileiros.
Assinale a alternativa correta:
a)       F, V, V, F
b)      V, F, V, V
c)       F, V, F, V
d)      V, V, F, F
e)      V, F, F, F



SOCIOLOGIA - SOCIEDADE E ESPAÇO URBANO - LISTA 1


Colégio Estadual Prof. Wilmar Gonçalves da Silva
Goiânia, ___ de ________ de 2020
Prof. Marcelo Junta - Sociologia
Aluno(a): ____________________________________ Série: 3º ____

QUESTÃO 01
Observe atentamente o gráfico e, a seguir, assinale a afirmativa INCORRETA.

População rural e urbana do Brasil entre 1950 e 2000
a)       O maior equilíbrio entre população rural e urbana verificou-se no final dos anos 60.
b)      O declínio da população rural acentuou-se significativamente a partir de meados dos anos 70.
c)       O ritmo de crescimento da população rural e urbana promoveu um desequilíbrio cada vez mais acentuado entre elas a partir da década de 70.
d)      O ritmo de crescimento da população total tornou-se superior ao da população urbana a partir de meados da década de 90.

QUESTÃO 02
Sobre a urbanização brasileira e os problemas sociais dela decorrentes, avalie as proposições a seguir:
                    I.     A urbanização brasileira – intensificada a partir da década de 1950 – possui íntima associação com a industrialização, que se iniciou no mesmo período. O expressivo êxodo rural ocorrido desde então contribui para o agravamento das questões sociais nos centros urbanos;
                  II.     O inchaço das cidades e a falta de infraestrutura adequada para atender os moradores são problemas causados exclusivamente pelo fenômeno acelerado do êxodo rural;
                 III.     Questões relacionadas com o desemprego, desigualdade social, violência e exclusão social estão entre os grandes problemas enfrentados nos centros urbanos brasileiros desde a intensificação da urbanização no país.
Estão corretas as alternativas:
a)       I e III.
b)      I e II.
c)       II e III.
d)      Todas as alternativas.
e)      Apenas a alternativa I.

QUESTÃO 03
A questão da moradia no Brasil, em especial nos grandes centros urbanos, é um problema social que ocorre em muitos municípios. Sobre essa questão, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto:
a)       Mesmo tendo diversas opções de moradia, áreas impróprias para a ocupação, como as margens de rios e encostas de morros, são escolhidas por alguns grupos populacionais, principalmente por razões culturais e afetivas.
b)      As ocupações em áreas irregulares e a ampliação e surgimento de favelas são consequências de um processo de urbanização desordenado e sem planejamento.
c)       Em muitas situações, as pessoas que não conseguem obter renda suficiente para custear sua habitação acabam utilizando as ruas da cidade como espaço de moradia.
d)      A questão da moradia no Brasil não se restringe à falta de uma casa para as famílias. Ela é muito mais ampla e envolve problemas relacionados com a ausência de saneamento básico, asfaltamento das ruas, iluminação pública e redes de água tratada.
e)      A ausência de moradias e/ou infraestrutura para os habitantes é um problema que atinge camadas específicas da população, em especial os menos favorecidos economicamente.

QUESTÃO 04
São fatores que se associam à urbanização do Brasil ao longo do século XX:
                    I.     Industrialização tardia
                  II.     Mecanização do campo
                III.     Políticas públicas demográficas
                IV.     Metropolização
                  V.     Democratização fundiária
                VI.     Isenção de impostos urbanos
Estão corretas as afirmativas:
a)       I, II e V
b)      II, IV e VI
c)       III, IV e V
d)      I, III e VI
e)      I, II e IV

QUESTÃO 05
Sobre o espaço urbano brasileiro, assinale a alternativa correta:
a)       as regiões Sul e Nordeste, embora menos povoadas, apresentam as maiores taxas de urbanização.
b)      com exceção das cidades de Brasília, Goiânia e Cuiabá, o Centro-Oeste brasileiro apresenta uma espacialidade urbana quase nula.
c)       a concentração de habitantes no Sudeste, resultando na formação de grandes cidades nessa região, emergiu como uma reprodução da concentração econômica do país.
d)      o espaço urbano brasileiro, embora não homogêneo, apresenta uma distribuição relativamente igualitária ao longo do território.
e)      o número de cidades brasileiras com mais de dez milhões de habitantes vem diminuindo em razão do processo de desmetropolização.

QUESTÃO 06
Sobre a organização espacial e a hierarquia urbana do Brasil, julgue os itens a seguir:
I - As duas grandes cidades globais do Brasil são Rio de Janeiro e São Paulo. Juntas, elas formam um eixo populacional conhecido como megalópole.
II - O Brasil possui dezenas de metrópoles nacionais, cujo impacto produtivo, político e econômico alcança várias partes e regiões do território brasileiro.
IV -  Atualmente, há uma crescente importância das cidades médias e das metrópoles regionais brasileiras.
V - Cidades como Goiânia e Florianópolis possuem uma polarização socioeconômica que se restringe a níveis regionais ou de um espaço próximo.
Estão corretas as afirmativas:
a)       I e II
b)      II e IV
c)       III e IV
d)      I, III e III
e)      I, II, III e IV